Vestígios de um poema inexistente
Você
precisava ver seus olhos
exatamente como os vi
Eles me amavam pela retina
Sua menina olhando minha menina
com piscadas rápidas de tensão
antes de se fecharem pra você sorrir
Eu precisava ver em seus olhos
bem mais que o reflexo de mim
Era preciso enxergar o que visto
por um atento potencial visual
Seria um final que não terminasse em fim
Pois ainda que enfim visto
um final que não terminasse de fato
Que acabasse antes do fim do parágrafo
onde as reticências completam os versos
Final repleto de silêncios camuflados
de infinitos “sins” não-declarados
traduzidos de uma só vez numa chuva de “eu te amos” claros
como seus olhos ficam nos dias de sol
brilhando de tão amados
numa manhã de Carnaval.
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